Cultivo protegido usa fontes de energia solar

7 de julho de 2010 - 11:26

Com a nova técnica, os agricultores já estão tendo um bom resultado e apostando no futuro.

Granja. Um projeto piloto implantado nas comunidades de Iapara e Vaquejador, zona rural deste Município na Zona Norte do Estado, vem beneficiando seis famílias com o cultivo protegido e energia solar. A experiência inédita é uma iniciativa da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) e Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado (SDA), em parceria com a Coordenadoria de Desenvolvimento da Agricultura Familiar e do Instituto Agropólos.

Desde novembro do ano passado, esses pequenos agricultores estão produzindo alimentos de qualidade dentro dos procedimentos agroecológicos, utilizando energia renovável, garantindo segurança alimentar e melhoria de renda nas famílias.

Dentre as culturas, como milhão, feijão, jerimum e pepino, existem as frutíferas: manga, maracujá, ata, goiaba, laranja e tangerina. A comercialização desses produtos está sendo garantida por meio de uma parceria com a Secretaria de Agricultura do Município, além da inclusão na merenda escolar.

De acordo com o engenheiro agrônomo da Ematerce e que acompanha o projeto, José Maurício Magalhães, outros oito municípios em regiões diferentes também utilizam a energia solar para produzir alimento familiar. “A gente se candidatou a uma dessas comunidades, trouxe os técnicos aqui, para discutirem com a comunidade e conhecerem qual a área a ser utilizada como produtiva no projeto”, explica Magalhães.

O Projeto Cultivo Protegido e Energia Solar funciona com uma mão-de-obra totalmente comunitária, que busca, por meio das teorias repassadas pelos técnicos da Ematerce, como aproveitar a energia solar para plantarem hortaliças orgânicas. “Os resultados contemplam geração de renda, preservação do meio ambiente e, é claro, alimentos saborosos na mesa da população local. Nesse primeiro momento o que eles produzem já serve como alimento e, futuramente, uma renda extra”, explica José Maurício.

Atualmente, essas hortaliças são adquiridas pelos moradores das comunidades envolvidas no projeto, mas o excedente da produção deverá ser comercializado no mercado local, que deverá ganhar espaço na Central de Abastecimento da cidade. “A Prefeitura já garantiu um espaço no Mercado Central com bancas e barracas padronizadas”, comentou José Maurício.

Irrigação

A irrigação é feita a partir de uma base montada no Rio Coreaú, numa área de dois hectares. Com investimento de R$ 45 mil, foram instaladas nove placas voltadas para a captação de energia solar. O painel solar produz energia limpa, que aciona uma eletrobomba, adquirida com parte do recurso, pela qual a água é distribuída por gotejamento e pelo método conhecido como Santemo (imersão em suspensão), chegando até as plantações. Também foi construído um galpão coberto por tela (estufa) e uma caixa d´água.

Para o agricultor Antônio Francisco de Paulo, o melhor de tudo é que o projeto já vem apresentando resultado satisfatório. “Não dá ainda para pensar em viver só com o que é produzido aqui, mas com as facilidades que estou encontrando já sonho com um futuro melhor”, disse ele, que se mostra bastante familiarizado com as orientações dadas pelos técnicos da Ematerce.

Quem também está apostando no êxito do projeto é o agricultor Benedito Francisco de Moura, apesar de ver a primeira safra de tomate não ter sido boa, devido aos fungos que prejudicaram a primeira colheita. “O grupo está bastante unido e não só eu, mas todos aqui estão acreditando no projeto, principalmente porque não se usa nenhum tipo de veneno”, disse.

 

FONTE: matéria publicada na edição do dia 07/07/10 no Caderno Regional do Jornal Diário do Nordeste.