Incubada do Nutec apresenta tecnologia para problema de salobridade da água

28 de setembro de 2015 - 00:00

A reunião do Comitê Integrado de Combate à Estiagem no Estado do Ceará realizada nesta segunda-feira (28), contou com a apresentação de uma tecnologia desenvolvida por uma empresa incubada do Nutec (Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará) com a finalidade de comercializar um mineral que tem a capacidade de sequestrar o cálcio e o magnésio da água salobra, o produto chamado Douce Aqua.

A empresa Policlay desenvolveu a tecnologia a um custo baixo e vem trabalhando nesta pesquisa desde março de 2010. Empresa incubada na Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará- Nutec, instituição vinculada à Secretaria da Ciência Tecnologia e Educação Superior do Ceará – Secitece, a empresa tenta agora negociar a comercialização em larga escala para baratear os custos de uso do produto e amenizar o problema da salobridade encontrada nos solos dos semiáridos brasileiros.

A apresentação foi feita pelo presidente do Nutec Francisco das Chagas Magalhães, que destacou o trabalho de pesquisa que a fundação vem desenvolvendo ao longo de mais de vinte anos. “Além do treinamento em comunidades e para técnicos, fazemos análise de parâmetros da qualidade da água e todo acompanhamento através do laboratório químico ambiental e outros serviços”, explicou Chagas.

Para o secretário de Desenvolvimento Agrário Dedé Teixeira, a tecnologia se soma à outras iniciativas no trabalho de combate à estiagem vivida no semiárido cearense pelo quarto ano consecutivo. “Precisamos agilizar todo esse processo de viabilização financeira do produto e fazer chegar nas comunidades mais carentes o mais rápido”, enfatizou.

A maior parte das águas subterrâneas do mundo são salobras (0,5 e 30 gramas de sal por litro) não salgadas (acima de 35 gramas por litro). A salobridade causa escassez de água potável para consumo humano e para a irrigação de lavouras de subsistências. No Brasil, o equipamento hoje disponível é importado e caro: o dessalinizador. Porém, apenas quatro gramas do produto recém-descoberto, colocados na parte superior de um filtro de barro – comum na cozinha do homem do campo – retira a salobridade de 20 litros de água.

O produto pode ser comercializado para associações de agricultores, fazendas, governos, além de indústrias de detergentes e produtos de limpeza porque aumenta a formação de espuma que é inibida em águas salobras.

Saiba mais:

A Policlay foi criada por um doutor da Universidade Federal do Ceará, professor Lindomar Damasceno e possui um equipamento capaz de tratar grandes volumes de água, fazendo uso do produto.

“O equipamento foi testado em várias comunidades como em um poço perto de uma escola em uma comunidade de Caucaia com 3.000 mil habitantes e que atualmente esperam o carro pipa para consumir água. Nosso trabalho agora é tornar viável o produto em larga escala para podermos beneficiar o maio número de pessoas”, explicou Lindomar.

Estão agendadas reuniões com o secretário Dedé Teixeira e representantes de outros órgãos do Governo do Estado para dá encaminhamento à questão da comercialização do produto.