Projetos de reuso da água são opções de Semiárido e destaque de avaliação do FIDA
21 de outubro de 2015 - 09:13
Nem mesmo diante de um cenário de quase nenhuma chuva nesse quarto ano consecutivo de estiagem, os produtores da região do Semiárido ficaram sem alternativas de produção e de convivência saudável com a seca. Neste último domingo (18) e segunda-feira (19), técnicos do Fundo Internacional do Desenvolvimento Agrícola (FIDA) acompanharam experiências agroecológicas produtivas, que demonstram, definitivamente, que o problema não é climático e sim do uso inteligente e tecnológico/inovador dos recursos disponíveis para retirar o máximo de um terra castigada pela escassez quase total de chuva.
Uma equipe de técnicos da Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará (SDA) também visitou assentamentos e comunidades, que desenvolvem o projeto de Bioágua no Território de Desenvolvimento do Sertão do Apodi, no Rio Grande do Norte, com o objetivo de ampliar o intercâmbio com alguns programas já desenvolvidos no Ceará, através dos projetos Paulo Freire e São José. Na Comunidade Sombras Grandes e Milagres, distante cerca de 40 quilômetros da sede do município de Caraúbas, a Missão Fida tomou contato com o trabalho de Reuso da Água Cinza Domiciliar para Produção de Alimentos no Semiárido.

A equipe da SDA foi formada pelo secretário executivo Felipe Pinheiro, o coordenador do projeto São José Lafaete Almeida e a coordenadora do projeto Paulo Freire Íris Tavares. O objetivo é ampliar o intercâmbio de experiências dos projetos financiados pelo FIDA e aperfeiçoar as metodologias para programas já em execução pela SDA e projetos que estão em fase de aperfeiçoamento como no caso do Paulo Freire, onde serão trabalhadas capacitações de comunidades dos territórios dos Inhamuns, Sobral e Cariri.
O projeto consiste basicamente na reutilização da água domiciliar que seria desperdiçada e que vem do chuveiro, da pia de cozinha e água da lavanderia. Através de um sistema de captação da água por gravidade, a água com resíduos e produtos químicos é canalizada para uma tubulação onde se concentra a primeira ‘limpeza’ da água, que é direcionada para a segunda fase de ‘purificação’ formada pelo minhocário, responsável fase final de tratamento da água.
Com um 1,2m de diâmetro por um de profundidade, a base do reservatório é formada por seixo, brita, areia, pó de serragem e úmus, que junto com trabalho das minhocas garante a limpeza da água domiciliar para adubação de hortaliças como beterraba, couve, alface, pimenta e outros.
“O sistema completo custa em torno de R$8mil e produz aproximadamente de 500 a 600 litros d´água/dia. Mas é preciso cuidados importantes para garantir o sucesso do sistema como manter o minhocário sendo abastecido pelo volume suficiente da água cinza”, explica Fábio Santiago, técnico do projeto Dom Hélder Câmara e integrante da Atos – Assessoria, Consultoria e Capacitação Técnica Orientada Sustentável – Organização Não Governamental, que acompanha projetos como o da Associação dos Produtores Rurais das Comunidades Sombras Grandes e Milagres há 10 anos.
O projeto foi um financiamento do projeto Dom Hélder Câmara, através do Fida, com parceria da Atos, patrocínio de Petrobras e Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e apoio da Universidade Federal Rural do Semi Árido (UFRSA). Com o projeto, os produtores que antes tinha pequenas culturas de sequeiro e trabalhos esporádicos como mão de obra barata, agora produzem e vendem produtos agroecológicos em feiras livres e em alguns casos para compras governamentais como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Assessoria de Comunicação da Secretaria de Desenvolvimento Agrário
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