Novos Sertões: Sistema de Reuso melhora qualidade de vida em Cristais

8 de agosto de 2016 - 10:37

Novos Sertões: O semiárido contado por sua gente

 

 

Por: Marina Filgueiras

Fotos: Tuno Vieira

 

Na comunidade de Cristais, município de Cascavel, à 92km de Fortaleza mora a família da agricultora Socorro Vieira e do agricultor Bento que são agricultores desde criança e hoje sustentam uma família de 6 pessoas através da agricultura. “Comecei com um plantio pequeno, só mesmo o básico para a alimentação e meu velho no roçado criando os bichos. A dificuldade maior sempre foi a água, tínhamos que ir de carroça todos dias pegar 5 baldes na fazenda vizinha”, contou D. Socorro.

Bento, de 77 anos, agricultor desde os 7, lembra das dificuldades que os acompanharam durante a vida. “Meus bichos morriam ou eram roubados, não tinha saneamento, não tinha água potável, nossa vida dependia da água da fazenda vizinha que ficava distante e o único meio pra chegar até la era a carroça”, desabafou.

A filha Nieldia, herdou dos pais o amor pela agricultura e pelo campo e apesar das dificuldades que os pais enfrentavam nunca desistiu de tentar algo melhor para mudar a vida do filho e dos pais. “Eu e a Associação da Comunidade de Cristais lutamos muito para mudarmos de vida, até que a Secretária do Desenvolvimento Agrário, através do Projeto São José III nos beneficiou com água encanada e banheiros” contou Nielda, com um sorriso no rosto.

E a alegria não parou por ai, a família da D. Socorro foi beneficiada com o Projeto de Reúso de Água Cinzas do São José III, que visa reaproveitar aquela água usada na lavagem de roupas, nos banheiros e nas pias, para a melhoria da plantação nas comunidades.  A família da D. Socorro foi a primeira das 5 famílias beneficiadas com o projeto na comunidade de Cristais, com investimento total na comunidade de R$ 107.235,36, sendo R$ 21.447,01 o valor de cada sistema de reúso.

“Depois da chegada do sistema de reúso, demos uma subida grande na vida. Temos uma plantação completa em qualidade e quantidade. Vamos fornecer ao Programa de Aquisição de Alimentos e  vender também, pois a produção vai além do no consumo próprio. A nossa renda vai aumentar e vamos ter uma qualidade de vida bem superior”, comemora Nieldia.

Diferencial

Segundo D. Socorro o diferencial da sua família é o trabalho de compostagem que é feito todos os dias por ela. A agricultora se orgulha em juntar todos os resto de comida, fezes de animais e fazer o serviço de adubo que ajuda na plantação e na produção.  “O pessoal do monitoramento do Projeto São José III ficou admirado com o meu trabalho, mesmo com todas as dificuldades que aqui existiam eles me mostraram que com esse projeto a minha vida ia melhorar bastante, e realmente hoje a minha vida é outra, tenho uma qualidade de vida alta e tenho muito orgulho das minhas plantações”.

A plantação da D. Socorro é composta por cebolinha, hortelã, tomate, babosa, anador, coento, cebola, milho, manga, côco, banana, cereja, pimenta, maxixe, melancia, manga, acerola, plantas medicinais, alface, berinjela, beterraba, mamão, graviola, tamarindo, ata, entre outros.

 

Capacitação

Devido a idade e as restrições de D. Socorro, a filha Nieldia ficou responsável em participar dos cursos de capacitação oferecidos pelo São José III. Os cursos aconteceram em Caraúbas no Rio Grande do Norte e em Iguatu. “O projeto inicial veio do Rio Grande do Norte e lá passamos 1 semana, conheci toda origem do projeto e a importância que ele tem para os agricultores, depois a capacitação aconteceu no município de Iguatu, onde os técnicos do São José III paassaram todas as orientações para que o projeto funcionasse perfeitamente”, contou.

 

Assessoria de Comunicação Secretaria Desenvolvimento Agrário

Marina Filgueiras – marina.filgueiras@sda.ce.gov.br

Aécio Santiago – aecio.santiago@sda.ce.gov.br