Comunidade de Serrote celebra 30 anos com entrega de trator pelo Projeto São José

18 de março de 2026 - 19:35

Texto e fotos: Alice Sousa

No último dia 18 de março, a Associação Comunitária dos Moradores de Serrote (ACMS), no município de Trairi, marcou suas três décadas de fundação com uma conquista histórica: a entrega de um trator agrícola zero quilômetro. Fruto do Projeto São José (PSJ), braço da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), a ação integra um investimento total de R$ 550.133,50, que inclui o maquinário e ações de apoio à produção local.

A cerimônia, realizada na quadra poliesportiva da comunidade, reuniu moradores, representantes do PSJ, da empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) e autoridades públicas. O novo equipamento deve beneficiar diretamente cerca de 30 famílias que têm na mandiocultura sua principal fonte de subsistência e renda.

Superação da escassez de mão de obra

Para os agricultores de Serrote, o trator não é apenas uma máquina, mas a solução para um dos maiores gargalos da região: a falta de braçais no campo. A agricultora Isabel Cristina Montenegro, que trocou a vida na cidade pelo campo em 2002, explica que o maquinário é essencial para a expansão do negócio.

A mão de obra é muito escassa aqui no município, não tem tantas pessoas hoje para trabalhar na agricultura. A máquina facilita nossa vida para produzirmos mais e mais“, afirma Isabel.

Hoje, ela comanda uma unidade de beneficiamento que processa cerca de 1.500 quilos de macaxeira por mês, abastecendo mercados em Trairi, Caucaia e Fortaleza. “Começamos pequenos, com uma moto entregando 20 quilos nas barracas. Hoje somos grandes vendedores“, orgulha-se.

A chegada do equipamento coincide com o aniversário de 30 anos da ACMS, um marco de resiliência para as famílias locais. Suzete Vieira, professora, agricultora e atual presidente da associação, destaca que o projeto é a coroação de uma história de lutas.

São 30 anos de muita cooperação, muitos ‘nãos’, mas também alguns ‘sims’ que fortaleceram a comunidade. Esse projeto é grandioso não só financeiramente, mas pelo desenvolvimento e facilidade que trará para o desempenho dos nossos agricultores“, pontua Suzete.

Eliane Rocha, técnica do Projeto São José que acompanha o projeto da ACMS, ressalta que os 30 anos de existência da associação e os 30 anos do PSJ vão além de uma mera coincidência. Isso porque, no contexto de surgimento do Projeto São José, muitos agricultores buscaram a formalização das associações para concorrer aos editais. A ACMS é um desses exemplos, que possui desde a eletrificação rural conquistada no início do PSJ até a mecanização agrícola no projeto atual. 

Mecanização como motor de transformação

O suporte técnico que acompanha a entrega do trator é visto como peça-chave para garantir que o investimento se transforme em qualidade de vida. Manuel Wilson, técnico de ATER no IDEF, reforça que a mecanização, aliada ao beneficiamento já existente na região, gera um ciclo de sustentabilidade.

Isso gera desenvolvimento para o homem e a mulher do campo. O trator chega para impulsionar essa força produtiva“, explica o técnico.

Com o novo maquinário, a expectativa da SDA e da comunidade de Serrote é que a produção de mandiocultura ganhe escala, reduzindo o esforço físico penoso e garantindo que as futuras gerações vejam na agricultura uma atividade viável e moderna.

O coordenador do Projeto São José, Lafaete Almeida, reforça que a entrega deste maquinário em Serrote faz parte de uma estratégia maior de fortalecimento da agricultura familiar em todo o estado. Para ele, a mecanização é o passo necessário para tirar o peso do trabalho braçal e garantir a permanência das famílias na terra com dignidade.

A chegada deste trator à comunidade de Serrote simboliza o compromisso do Projeto São José com a modernização da nossa agricultura familiar. A mecanização não é apenas sobre tecnologia; é sobre dar escala à produção, reduzir a penosidade do trabalho no campo e garantir que o agricultor e a agricultora tenham melhores condições de competitividade no mercado. Investir em máquinas é investir na sustentabilidade e no futuro das nossas associações“, afirma Lafaete.

Com o novo maquinário, a expectativa da SDA e da comunidade de Serrote é que a produção de mandiocultura ganhe escala, garantindo que as futuras gerações vejam na agricultura uma atividade viável, moderna e próspera.